quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Hipertensão na gestação


            Como parte da prática médica cardiológica, faço em conjunto com obstetra, acompanhamento de gestações de alto risco. E por que gestantes podem precisar de cardiologistas?
            Quase a totalidade delas precisam por estarem hipertensas. São mulheres que não eram hipertensas e ficaram na gestação, são mulheres que já eram hipertensas e engravidaram ou que já tiveram quadros prévios de hipertensão durante gravidezes anteriores. As mulheres que ficam hipertensas durante a gestação precisam ter seus níveis de pressão controlada porque a hipertensão está associada a aumento da mortalidade fetal, interrupção precoce da gestação e como complicação máxima: a eclâmpsia, situação emergencial que põe em risco a vida da mãe, do bebê com alta mortalidade.
            Como a hipertensão tradicional, mulheres obesas, com mal-hábitos alimentares, sedentárias, estão entre as que tem mais risco de desenvolver hipertensão na gravidez e as mudanças de hábito devem ser estimuladas a todo custo. O tratamento impõe algumas diferenças em relação à hipertensão comum já que a gravidez impõe uma série de restrições em termos de medicação. Drogas clássicas usadas no paciente hipertenso comum não podem ser tomadas pela gestante sob risco de mal-formação ou morte fetal, o arsenal terapêutico é reduzido e então as medidas de hábito de vida tem um peso ainda maior no tratamento.

            A gestante hipertensa tem de ser acompanhada em conjunto pelo obstetra (de preferência com experiência em gestação de risco em ambulatórios específicos), pelo cardiologista e muitas vezes por um (a) nutricionista. As consultas freqüentes e a avaliação periódica da pressão arterial são armas poderosas assim como, avaliado pelo obstetra, a escolha do momento certo para interromper a gravidez de acordo com o sucesso terapêutico, viabilidade fetal e risco para a mãe e o bebê. 

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

DAEM - Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino


Há algum tempo se fala e se discute sobre reposição hormonal para mulheres. As mulheres pós-menopausa apresentam uma série de problemas devido a interrupção da produção de estrogênio e a reposição já é praticada há anos. De início ela era uma maravilha, depois passou a vilã e hoje, com os estudos, passou ser avaliada caso a caso. Tem seus riscos e benefícios e tudo deve ser colocado na balança. Mas e os homens??
O termo andropausa já foi usado para mostrar a queda na produção de testosterona com a idade porém o termo é errôneo já que, em condições naturais, o homem jamais para de produzir testosterona porém existe uma queda natural em sua produção. Estudos mostram que a reposição de testosterona nos casos em que os níveis caem para abaixo do normal e provocam sintomas é extremamente valiosa na manutenção da saúde e qualidade de vida do homem. O Distúrbio Androgênico do Envelhecimento Masculino (DAEM) é cada vez mais diagnosticado e quando corretamente tratado tende a ser um divisor de águas na vida do homem. Os níveis de testosterona caem e com isso vem uma série de sintomas e problemas como perda da libido (desejo sexual), prostração, depressão, ganho de peso, perda de força muscular, perda de massa óssea, piora das taxas como glicose e colesterol e aumento de risco cardiovascular. Claro que tem de ser avaliado muito bem pois repor testosterona também pode ser perigoso e só deve ser realizada após uma minuciosa análise clínica e laboratorial pelo médico assistente e JAMAIS deve ser utilizada sem que haja uma evidência clínica (sintomas) e laboratorial (dosagem de testosterona abaixo do normal) para tal. Homens obesos e diabéticos estão entre os que apresentam maior risco de desenvolver o distúrbio.

Causas secundárias do DAEM também devem ser investigadas como distúrbio da hipófise (glândula cerebral que controla a secreção de hormônios sexuais entre outros) entre outros. Fale com seu médico!

domingo, 28 de setembro de 2014

Anti-inflamatórios



           Medicações que são extremamente comuns com uso muito difundido, os anti-inflamatórios são tidas muitas vezes como medicações que podem ser usadas sem nenhum problema. Eles podem ser de dois tipos: os esteróides (já descritos aqui, ver: http://alexamorim73.blogspot.com.br/2013/09/corticosteroides.html ) e os não-esteróides que são os de uso mais comum. Hoje vou falar aqui sobre os não-esteróides e também de alguns riscos dessa classe de medicação.
            Para entender melhor, explicaremos de forma simplificada como essas medicações funcionam. Quando existe uma injúria (que pode ser física, química, biológica, imunológica, etc) o corpo produz algumas substâncias que promovem a inflamação e com isso os sintomas clássicos dela: dor, calor, vermelhidão, inchaço, febre, etc. Os anti-inflamatórios agem impedindo a produção dessas substâncias e, com isso, aliviando estes sintomas.
            Essas substâncias, porém, agem em outras partes do corpo em mecanismos que são importantes para o bom funcionamento do nosso corpo e o uso dos anti-inflamatórios pode prejudicar o funcionamento e com isso provocar problemas sérios. O mais comum e conhecido efeito colateral é a agressão gástrica, o uso dos anti-inflamatórios pode causar gastrite, agravar gastrite existente, provocar úlcera e sangramentos digestivos. Além disso, os rins podem sofrer com a administração prolongada e uma insuficiência renal pode aparecer. Na minha vida clínica já vi alguns hipertensos controladas terem suas pressões alteradas pelo uso de anti-inflamatórios e até pessoas que não são hipertensas terem suas pressões alteradas per essas drogas.

            É importante ressaltar que o uso curto normalmente não traz nenhum problema porém e, conforme o uso se prolonga, os efeitos colaterais vão aparecendo e a interrupção da medicação pode ser mandatória.  

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O impacto medido de uma vida saudável


             Estudo publicado no Journal of the American College of Cardiology medindo o impacto de uma vida saudável (dieta, exercícios e controle de fatores de risco) na incidência de infartos do miocárdio em homens. Nesse estudo 20.761 homens foram acompanhados desde 2009 sendo esses homens com história de câncer, hipertensão, diabetes, doença cardiovascular e colesterol alto. Foram separados então pela adoção dos seguintes fatores de vida saudável: dieta saudável, não fumar, baixo consumo de álcool, atividade física regular e ausência de adiposidade abdominal (a gordura visceral explicada alguns textos atrás).



            Durante o acompanhamento acontecerem 1.361 casos de infartos do miocárdio e os resultados, variando entre os que adotaram de 0 aos 5 fatores de baixo risco, foram expressivos. Adotar o modo de vida saudável com os 5 fatores acima descritos, poderiam prevenir até 79% dos infartos na população estudada. Ou seja, 4 de cada 5 infartos poderiam ser prevenidos com uma vida mais saudável apenas.



            Lembrando que o infarto do miocárdio é a maior causa de morte não traumática no mundo e que, mesmo que não causa a morte, é responsável por grande parte de perda de qualidade de vida, de população ativa e produtiva. Pesa na saúde, pesa no bolso, pesa no orçamento dos governos pela quantidade de pessoas que saem da vida profissional e passam a viver de aposentadorias.  


domingo, 21 de setembro de 2014

Vitamina E





Vitamina que tem despertado grande interesse ultimamente, a vitamina E é reconhecida como potente antioxidante e confere importante proteção contra as ações nocivas dos radicais livres de oxigênio. É isso mesmo, o mesmo oxigênio que é vital para nós, também é tóxico. Um exemplo claro está no nosso dia a dia, quando algo “enferruja” o que acontece é uma oxidação do metal. Ou seja, a reação do metal com o oxigênio que resulta em corrosão. Pois bem, os radicais livres de oxigênio são capazes de lesar nossas células, provocar envelhecimento e perda de função de células.
            A vitamina E é importante para o sistema imunológico, prevenção de trombose e estudos tem ligado a vitamina E a melhora do mal de Alzheimer e sua ação antioxidante é especialmente importante contra os radicais livres gerados pelo cigarro, poluição e radiação ultravioleta do sol.
            Porém nem tudo são flores, a reposição não indicada de vitamina E pode trazer efeitos colaterais indesejados como aumento da propensão a sangramentos principalmente se o paciente já faz uso de medicação anticoagulante. A maioria das pessoas ingere a quantidade suficiente de vitamina E na alimentação porém algumas doenças podem requerer suplementação como doenças hepáticas, fibrose cística e doença de Crohn.

Fontes de vitamina E:

Alimentos
Peso
Vitamina E
Óleo de gérmen de trigo
13,6 g
26 mg
Semente de girassol
33 g
17 mg
Avelã
68 g
16 mg
Óleo de girassol
13,6 g
7 mg
Amendoim
72 g
5 mg
Óleo de amêndoa
13,6 g
5 mg
Castanha-do-pará
70 g
5 mg
Amêndoa
78 g
4,3 mg
Pistache
64 g
3,3 mg

Recomendações diárias de vitamina E:





sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Potássio, o amigo das mulheres!


             Um estudo recente mostrou que mulheres pós-menopausa que ingerem maiores quantidade de potássio tem menor chance de sofrer um acidente vascular cerebral e morrer do que as com dieta pobre em potássio.
            Os resultados do estudo foram bastante interessantes. De uma forma geral, uma dieta rica em potássio reduziu o risco de AVC em geral em 12% em mulheres pós-menopausa e essa taxa sobe para 16% quando nos referimos apenas a VC isquêmico. Entre as mulheres que não são hipertensas, o risco da AVC caiu em 27%. Como as mulheres pós-menopausa tem risco maior de AVC do que os homens a conclusão é de que as mulheres precisam de maiores quantidades de potássio.
            O estudo foi feito acompanhando mais de 90mil mulheres pós menopausa entre 50 e 79 anos por 11 anos. Um estudo robusto que trouxe informações importantes para prevenção de AVC entre esse grupo de mulheres.



            

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Gordura Visceral


       Que a obesidade está relacionada a muitos problemas cardiovasculares, hipertensão, endocrinológicos e osteomusculares já é conhecido há tempos. Porém um estudo recente publicado pelo American College of Cardiology mostrou que o tipo e a localização da obesidade traz diferenças clínicas importantes.
            O estudo mostrou que a gordura visceral (aquela que se acumula no abdome) está muito mais ligada ao desenvolvimento de hipertensão arterial sistêmica do que a gordura total ou em outras partes do corpo. Os mecanismos pelos quais essa diferença ocorre ainda não estão elucidados porém a ligação entre gordura visceral e hipertensão foi bem clara na avaliação.
            Se você tem aquela “barriguinha” não se preocupe somente com a estética, essa gordura tem implicações importantes e impacta diretamente em sua saúde.