sábado, 17 de agosto de 2013

Morte Súbita



             Ontem durante atendimento a homem adulto jovem que realizara um "check-up" cardiológico eu fui questionado por ele pela validade de tais exames já que um amigo que levava uma vida saudável , fazia atividade física, subitamente morreu de um "ataque cardíaco".
Fui questionado pois, se a pessoa era saudável, por que teria tido tal ataque.
            Um breve relato, o paciente em questão estava saindo de casa, abriu o carro e caiu morto. Sem ter tido dor no peito, falta de ar, tonteira, nada. A famosa morte súbita, praticamente sem direito a socorro.

E o que é a morte súbita?

            O nosso coração tem um sistema elétrico interno que é responsável pela ativação e consequente contração do músculo cardíaco de forma ritmada, quando ocorre uma desorganização dessa rede elétrica, o coração pode bater  muito rápido, muito devagar, desorganizadamente ou parar de bater. Uma atividade elétrica tão caótica e desorganizada que se torna incapaz de promover uma contração mecânica do músculo e o indivíduo morre. O infarto propriamente dito é apenas uma das causas de morte súbita e das menos prováveis quando isso acontece em jovens pois, na maioria dos casos, pra se ter um infarto é necessário ter doença coronariana (placas de gordura em provocam obstrução nas coronárias) e isso é bastante raro em jovens. Em jovens, na maioria das vezes, a morte súbita está relacionada ou a alterações estruturais cardíacas congênitas (ex: cardiopatia hipertrófica) ou doença elétrica do coração ou a abuso de drogas como cocaína e crack.

            Quando fazemos um "check-up" num paciente jovem e aparentemente saudável temos 2 objetivos: um seria flagrar alterações que podem caracterizar o paciente como de risco para esse tipo de evento e também ver como ele se situa em termos de risco para desenvolver a doença coronariana no futuro. Hoje temos visto atletas morrendo em atividade, jovens tendo problemas sérios, isso pode e deve ser rastreado antes do início de uma atividade, principalmente se de alto desempenho.

domingo, 11 de agosto de 2013

MAPA - Monitorização Ambulatorial da Pressão Arterial


             
           Exame comumente solicitado por cardiologistas principalmente, o MAPA é um exame considerado chato e desconfortável porém extremamente necessário e elucidativo para o médico. Neste exame, é instalado um aparelho de pressão automático no paciente que mede a pressão de 15 em 15 minutos (ou de 20 em 20 minutos dependendo da programação) durante o período que o paciente está acordado e de 30 em 30 minutos durante o período de sono. Junto com isso, é dado uma folha para que o paciente faça um relatório de suas atividades durante as 24h que fica com aparelho (por exemplo: esforço físico, emoções fortes, uso de  medicação, atividade sexual, etc).
            Com esse exame, o médico tem as informações necessárias para definir se o paciente é hipertenso ou não, se precisa de remédio ou não ou, se o paciente já for hipertenso e já usa medicação, se esta está eficaz ou não para tratar sua hipertensão arterial. Muitas vezes o paciente vem com queixas de que a pressão vem subindo porém, ao colocar o MAPA, vemos que o paciente faz picos isolados em situações específicas mas que, na maioria do tempo, a pressão está normal. Este paciente NÃO precisa de tratamento anti-hipertensivo e trata-lo como hipertenso seria um erro. O MAPA também ajuda a mostrar o caso da famosa "hipertensão do jaleco branco" ou "hipertensão de consultório" que consiste no caso do paciente que na frente do médico ou profissional de saúde, tem sempre medidas alteradas, mas medidas em casa com o MAPA são normais. Outro caso que também não necessita de tratamento.

            A maior queixa do paciente é do desconforto causado pelo aparelho, principalmente para dormir. Mas as informações trazidas por ele são tão preciosas que, para o bem do paciente, vale o esforço. Se seu médico solicitá-lo, faça de bom grado, será pro seu bem!

terça-feira, 6 de agosto de 2013

Efeitos Colaterais e Reações Adversas


            Hoje não venho falar de uma doença ou droga ou exame específico mas sim de uma coisa extremamente importante que por vezes temos de lidar e descobrir que são as reações adversas e efeitos colaterais aos medicamentos.
            Primeiro vamos diferenciar um do outro: efeito colateral é um efeito diferente além  daquele que se espera de um medicamento. E ele pode ser bom ou ruim e, quando ruim, pode ser chamado de reação adversa. Exemplos: quando se toma uma anti-alérgico , um efeito colateral comum é dar sono. O que pode ser bom no caso da manifestação alérgica causar incômodo que atrapalha o sono. Outra reação adversa comum é a de anti-inflamatórios agredirem o estômago sendo necessária sua interrupção.
            Recentemente vi um caso onde uma paciente idosa, após um dia normal, começou a ter delírios, alucinações, agressividade, agitação intensa e a família ficou desesperada, claro. Após uma conversa, vi que havia sido prescrito recentemente uma medicação neurológica comumente usada para mal de Parkinson e que ela poderia ser a causa dessa manifestação trágica. Orientei a retirada da medicação e em menos de dois dias a paciente já retornara ao seu estado normal sem ter sequer lembrança do que havia ocorrido.
            Isso é importante para o paciente ter em mente que todas as vezes que alguma medicação nova for prescrita ou mesmo tomada sem orientação médica, deve-se contar ao médico com a maior precisão possível quando foi iniciado e a dose pois sintomas que aparentemente  não tem nada a ver com o motivo do uso daquela medicação pode estar relacionado a mesma.
            Evite ao máximo medicação sem orientação médica, por mais inocente possa parecer, e sempre informe seu médico sobre qualquer remédio.

            Um abraço.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Neuropatia Diabética

       O paciente diabético, principalmente aquele que não se controla adequadamente, pode desenvolver, ao longo dos anos, danos aos nervos pelo corpo chamada de NEUROPATIA DIABÉTICA. É uma patologia que pode se apresentar com mais ou menos gravidade e que compromete profundamente a qualidade de vida dos pacientes.
            Quase metade dos pacientes diabéticos desenvolvem algum grau de neuropatia diabética e a maioria dos sintomas não se inicia antes de 10 ou 20 anos de doença. Podem ser afetados os nervos cranianos, os nervos vindos da medula espinhal e os nervos que controlam órgãos vitais de funcionamento automático como coração, trato gastrointestinal, bexiga, etc. Esta última é chamada neuropatia autonômica.
            Os sintomas dependem do tipo de nervo e da área afetada por ele. Quando os nervos da espinha são afetados, podem causar dor e alterações de sensibilidade de áreas de braços, pernas, dificuldade de andar. Se de nervos dos órgãos automáticos, podem causar problemas de controle de frequência cardíaca e pressão arterial, dificuldade de engolir, incontinência (dificuldade de controlar a eliminação urina e fezes) ou retenção urinária e fecal.  A perda de sensibilidade dolorosa pode ser perigosa pois a pessoa pode se ferir e não sentir o que, somado a dificuldade de cicatrização dos diabéticos, causar feridas severas que podem culminar até com gangrenas e amputações. Além disso, o paciente pode não sentir os sintomas de hipoglicemia ou sentir a dor de uma angina por exemplo. Problemas sexuais são frequentes como dificuldade de ereção nos homens e ressecamento vaginal e anorgasmia nas mulheres, o que contribui para perda de qualidade de vida.
            Por todos esses pontos, a neuropatia diabética é uma das mais nefastas consequências dessa doença severa, crônica, progressiva mas que pode ser controlada e , assim como outras consequências, evitada.

            Converse com seu médico.

domingo, 28 de julho de 2013

Diabetes e hemoglobina glicosilada


            O paciente diabético costuma ficar bastante ligado nos valores da glicose de jejum e, muitos, nos testes de glicemia capilar (aquele que espeta o dedo e mede num aparelho), que são medidas válidas para auxiliar no controle da doença. Porém, devemos sempre estar atentos que o parâmetro de controle do diabetes é uma medida laboratorial chamada hemoglobina glicosilada ou hemoglobina glicada.
            Esse parâmetro laboratorial nos dá uma medida fidedigna de como se comportou a glicemia pelos últimos 3 meses pelo menos. Ou seja, uma glicose de jejum normal porém com uma hemoglobina glicosilada aumentada indica que o diabetes NÃO está controlado. O paciente e o médico devem estar atentos a este parâmetro. De outra partida, um paciente pode estar com uma glicemia de jejum alterada porém se a hemoglobina glicosilada estiver normal, o tratamento pode ser mantido como está pois o controle foi alcançado.
            Existem algumas diferenças de um laboratório para outro mas, na grande maioria, considera-se ideal o valor de hemoglobina glicosilada entre 6,0 e 7,0 para quem é diabético. E esse deve ser o parâmetro de controle utilizado. Medidas abaixo de 6,0 nos diabéticos também devem chamar atenção do médico pois pode indicar que o paciente esteja sob risco ou mesmo fazendo hipoglicemias (glicose muito baixa) e estas são especialmente danosas para o coração e o cérebro além do risco de queda (especialmente em idosos).

            Converse com seu médico!

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Tromboangeíte Obliterante

Tromboangeíte obliterante (ou doença de Buerger) é uma incomum doença onde os pequenos vasos sanguíneos se inflamam, ficam com as paredes edemaciadas e podem ser completamente obstruídos por coágulos sanguíneos. Os vasos sanguíneos das extremidades (mãos e pés) são especialmente afetados o que pode culminar com necessidade de amputações sucessivas dos membros.
É extramente relacionada ao cigarro e o mais comum é a doença aparecer em homens, fumantes, adultos jovens, com idade  mais comum em torno de 20 a 40 anos de idade, muitos pacientes tem higiene dentária ruim e apenas 1 a cada 10 pacientes são mulheres.

Sinais e sintomas:

 -  dedos das  mãos e dos pés podem estar pálidos, vermelhos, azulados ou gelados
        - dor nessas extremidades aguda, severa, por vezes em repouso que piora quando exposto ao frio ou estresse emocional
        - queimação e formigamento
     - dor em pernas, tornozelos e pés ao caminhar (claudicação intermitente)
     - aparecimento de pequenas feridas (úlceras) dolorosas nos dedos das mãos ou pés
         - usualmente 2 ou mais membros são afetados

            Diagnóstico:

            Vem normalmente através de exames de imagem como ultrassonografias com doppler (medida de fluxo) dos vasos e arteriografia (exames contrastado em que se vê a obstrução dentro das artérias). Além disso, exames laboratoriais que mostram evidências de outras doenças que podem levar a casos semelhantes como doenças autoimunes, vasculites, aterosclerose e diabetes devem ser feitos.

            Tratamento:

            Não existe cura e tratamento específico para a tromboangeíte, a doença é de prognóstico ruim e a cessação do tabagismo é fundamental para evitar a progressão da doença. Às vezes a evolução para gangrena e morte do tecido impõe a retirada cirúrgica daquela área, que pode ser apenas uma ferida ou um membro.


segunda-feira, 22 de julho de 2013

Cardiopatia Hipertrófica.

            Cardiomiopatia hipertrófica é uma condição onde o coração ou uma parte dele se torna mais espesso que o normal e isso pode ser causa de muitos problemas como obstrução ao fluxo de saída de sangue do coração, dificuldade do coração relaxar para se encher de sangue e, pela desorganização das fibras musculares, ser causa de arritmias perigosas. É uma doença genética, normalmente com casos na mesma família e os jovens costumam apresentar as formas mais severas porém pode ser vista em todas as faixas etárias.
            Muitas vezes a doença não tem sintomas e o primeiro sintoma a aparecer é o colapso (síncope) podendo, inclusive, apresentar morte súbita que é normalmente causada por arritmias severas ou por obstrução ao fluxo sanguíneo dentro do coração. Outros sintomas incluem dor torácica, falta de ar, tonteiras, vertigens e palpitações.
            O diagnóstico vem normalmente através de um ecocardiograma porém outros exames podem ser realizados não só para o diagnóstico da doença como para avaliar o risco de morte súbita do paciente. Baseado nesses exames, o tratamento pode ir desde medicação para prevenir arritmias até o implante de marca-passos e cardiodesfibriladores implantáveis que vem a ser dispositivos que reconhecem arritmias fatais e dão choques intracardíacos para reverterem-nas.

            Muitas vezes a obstrução ao fluxo sanguíneo se torna tão severa que uma cirurgia pode necessária para desobstrução. Como é uma doença genética, faz parte da avaliação, uma vez diagnosticado um caso na família, o aconselhamento genético para identificar os susceptíveis e iniciar o tratamento de prevenção à morte súbita antes dos primeiros sintomas.
            Caso emblemático de morte por cardiomiopatia hipertrófica aconteceu quando o jogador Serginho, do São Caetano, morreu em campo numa partida pelo campeonato brasileiro em 2004.