domingo, 24 de agosto de 2014

Novas Metas para Controle da Pressão Arterial


            Há algum tempo que vem se falando em objetivos no tratamento da hipertensão arterial. As metas do tratamento costumam ficar no famoso “12 por 8” ou, falando corretamente, 120x80mmHg (milímetros de mercúrio). Porém será que essa meta é boa para todos?
            Não temos dúvidas que um jovem hipertenso tem grande benefício em manter tais metas, certamente reduziria bastante o risco de doenças cardiovasculares graves e de eventos como infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral, doença renal e outros. Porém o grande desafio se dá em outra população, os idosos acima de 60 anos. Será que devemos buscar o 120x80mmHg para eles também?
            Pelas novas diretrizes internacionais de hipertensão a reposta é não. As metas de tratamento são avaliadas caso a caso, levando em conta a idade e o tipo de doença associada que  o paciente tem como vou demonstrar a seguir.
            Para os paciente maiores de 60 anos que não são portadores de doença renal, diabetes ou doença nas coronárias (obstrução nas artérias que alimentam o coração), a meta atual é reduzir a pressão arterial máxima para abaixo de 150 (15) e a mínima para abaixo de 90 (9)mmHg. Para os paciente com menos de 60 anos a meta é reduzir a pressão arterial máxima para menos de 140 (14) e a mínima para menos de 90 (9) mmHg. Se o paciente tem qualquer idade mas é portador de doença renal, diabetes ou doença coronariana a meta também é pressão arterial máxima menor que 140 (14) e a mínima menor que 90 (9) mmHg.

            Nos idosos, a redução da pressão arterial para valores muito abaixo disso, além de não ter benefício adicional, existe um risco da circulação cerebral não suportar valores mais baixos e dos mecanismos normais de manutenção da pressão arterial falharem em mantê-la em situações especiais como levantar-se, ficar muito tempo em pé e isso aumentar o risco de quedas, fraturas, acidentes vasculares cerebrais e comprometer assim a duração e qualidade de vida do idoso. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Coração partido existe? Uma desilusão pode fazer mal ao coração?


           Um grande estresse, uma emoção forte ou uma desilusão pode fazer mal ao coração? Causar danos físicos ao órgão? A resposta é sim. Existe uma forma de acometimento agudo do coração conhecida com síndrome de Takotsubo ou cardiopatia induzida por estresse ou síndrome do coração partido. O nome japonês refere a um vaso de pesca de polvos que tem uma forma semelhante ao que o coração adquire durante o problema.
            É uma síndrome que tem manifestações clínicas que se assemelham muito a um infarto do miocárdio inclusive com alterações estruturais detectáveis podendo cursar inclusive com gravidade. As diferenças consistem na reversibilidade da Takotsubo e na ausência de doença coronariana obstrutiva. Ou seja, é mais ou menos como se a pessoa tivesse um infarto reversível sem morte de células cardíacas e sem nenhuma artéria obstruída que justifique o quadro.

            Acomete muito mais mulheres do que homens, o quadro se inicia habitualmente com sintomas como dores no peito, falta de ar, desmaios, podendo apresentar sintomas graves como edema pulmonar e choque por falência do coração.   O cateterismo é importante para o diagnóstico por descartar a doença obstrutiva das coronárias como responsável pelo quadro e, após tratamento de suporte, comumente ocorre a reversão completa do quadro em algumas semanas voltando o paciente a ter um coração estruturalmente e funcionalmente normal. 

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Febre Maculosa

            Os noticiários estão veiculando um aumento da incidência de uma doença que até então a maioria das pessoas daqui jamais tinha ouvido falar:a FEBRE MACULOSA.
            Essa doença é causada por uma bactéria do gênero ricketsia e é transmitida por um carrapato muito comum aqui no Brasil que é o carrapato estrela (ou carrapato de cavalo). Esse carrapato infesta os animais domésticos comuns e alguns selvagens como capivara, gambás, coelhos, tatus e cobras. A bactéria fica na saliva do carrapato e, quando ele pica o ser humano, a inocula na circulação.
            Após a picada a pessoa pode ficar de 2 a 14 dias sem sintomas e então a doença aparece. Os sintomas podem ser muito fracos ou inexistentes nos casos leves (o que dificulta o diagnóstico) ou serem intensos e graves. A febre pode ser alta, aparecerem manchas na pele (máculas – daí o nome da doença) que aparecem róseas, normalmente nos punhos e tornozelos mas que depois progridem, ficam elevadas, arroxeadas e podem descamar depois. O local da picada do carrapato pode ficar necrótico como se fosse uma picada de aranha. A  doença pode evoluir para cura espontânea após 3 semanas porém nos casos mais graves pode ocorrer necrose dos dedos, extremidades, genitais e o óbito pode ocorrer. Importante ressaltar que a doença não passa de ser humano para ser humano diretamente, SEMPRE precisa do carrapato.
            O diagnóstico pode ser difícil pois se confunde com outras doenças infecciosas que causam manchas na pele e os sintomas podem ser muito tênues e o tratamento nos casos leves constitui somente de medicação sintomática. Nos casos mais sérios, um suporte internado e antibióticos específicos devem ser empregados. A mortalidade pode chegar a 20% nos casos mais graves.
            A prevenção visa evitar o contato com o carrapato. Uso de calças compridas, botas, usar carrapaticidas nos animais domésticos e criações e vistoriar o corpo frequentemente caso tenha de entrar em contato com ambiente e animais silvestres. 

segunda-feira, 7 de julho de 2014

Febre Chicungunha - Nova ameça?


         Não é de hoje que o Brasil se preocupa com o combate ao mosquito Aedes aegypti pela epidemia de dengue que assola o país ano após ano e também não é de hoje que sabemos que estamos longe de ganhar esta guerra. O que não é muito divulgado é que esse mesmo mosquito é o transmissor de outras doenças como a febre amarela e, mais recentemente, uma doença que até pouco só ocorria na África: a febre Chicungunha.
            Foram detectados casos no Rio de Janeiro em 2014 em soldados provenientes do Haiti e viajores proveniente da África. O estado de alerta vale pois já que temos o mosquito transmissor em abundância só faltaria pessoas doentes para começar a transmissão em massa.

            Os sintomas da febre Chicungunha são semelhantes a de qualquer virose inespecífica inclusive a dengue. Febre, dor de cabeça, dores pelo corpo, manchas vermelhas na pele e marcadamente com dores articulares. A  doença é de curso auto-limitado, de pequena mortalidade que acontece principalmente em bebês porém, diferente da dengue, existe uma forma crônica, com sintomas que duram de 6 meses a 1 ano, que deixam seqüelas articulares.  

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Cardioversão Elétrica - Um choque no peito!


            Filmes e programas de TV mostram volta e meia, quando um paciente apresenta uma parada cardíaca, aquele choque no peito dado com um desfibrilador. A cena é dramática, paciente inerte, equipe estressada, correria, na hora do choque o corpo do paciente dá aquela arqueada de contração muscular e nem sempre funciona. Hoje eu vou falar desse choque mas, ao contrário do que se pensa, não é dado apenas em casos dramáticos de parada cardíaca. Existem situações em que acontecem arritmias cardíacas, com o paciente acordado, lúcido e que está indicado a terapia elétrica. É chamada de cardioversão elétrica.
            O paciente deve ser informado do procedimento, sua sequência, riscos e benefícios. É relativamente simples de ser realizado mas depende de uma sedação (o choque dói), aparato para garantir a respiração do paciente, aplicação de abundante quantidade de gel no tórax (para evitar queimaduras) e a aplicação enfim das pás do desfibrilador nas posições adequadas no tórax  e disparar a carga elétrica.
            O princípio é simples, durante uma arritmia, o coração se apresenta com sua atividade elétrica desorganizada ou organizada de forma inadequada, Esses circuitos funcionando de forma rápida impedem o nosso sistema natural de controle de freqüência cardíaca de controlá-la. A carga elétrica aplicada então anula este circuito e então nosso sistema de controle reassume e volta a controlar nosso ritmo cardíaco. A sedação é leve, o paciente normalmente já começa a acordar com o choque, não se lembra do que aconteceu e pode, em muitos casos, após acordar, receber alta hospitalar logo após.
            Os riscos do procedimento são provenientes da sedação (depressão respiratória, broncoaspiração, sedação excessiva, etc.) e da aplicação da carga elétrica (queimaduras, ineficácia e parada cardíaca, esse último bastante pequeno.). Na imensa maioria dos casos o procedimento é seguro e bem sucedido.

            Abraço a todos.

sábado, 28 de junho de 2014

Terapia de Ressincronização Cardíaca


                  O nosso coração é um órgão muscular e para seu melhor desempenho é necessário que ele se contraia de forma uniforme. Suas fibras, quando ativadas, devem se contrair juntas aumentado assim sua força de contração. Muitas vezes, quando o coração cresce demais, essa ativação demora a percorrer todo o músculo cardíaco fazendo com que as fibras (que já estão mais fracas) não contraiam juntas, causando uma perda na sincronização das fibras. Esse tipo de situação pode ser confirmada facilmente por exames simples como eletrocardiograma e ecocardiograma e, quando acontece, ajuda a acentuar a situação chamada insuficiência cardíaca.
            Para estes casos existe um aparelho que pode ser implantado (como um marcapasso) que faz com que as fibras cardíacas melhorem seu desempenho por contraírem de forma mais uniforme. É o RESSINCRONIZADOR. Normalmente o paciente sente uma melhora em sua capacidade funcional, na sua tolerância a esforços e melhora na qualidade de vida em geral.
            Vale ressaltar que o ressincronizador não trata a disfunção cardíaca existente, não faz com que um coração grande e fraco fique forte e normal. Ele apenas sincroniza as contrações das fibras melhorando seu desempenho. Todo o tratamento médico deve continuar, medicações e todo o resto. Ele é mais um recurso válido principalmente para aquele paciente que, a despeito de todo o tratamento, não consegue ser adequadamente controlado, tem muitos sintomas e tem sua qualidade de vida comprometida.

            Nem todos os pacientes nessas condições respondem bem ao implante do ressincronizador, a análise de quem é candidato ao implante e deve seguir as diretrizes das sociedades de cardiologia internacionais.Nos que respndem bem a melhora na qualidade de vida, redução das internações é visível. 

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Linfomas


       Existe no nosso corpo um sistema de defesa chamado de sistema linfático, ele abrange todo o corpo e é formado pelos vasos linfáticos e pelos gânglios linfáticos. Eles são “ilhas” de defesa no organismo e é comum sentirmos alguns deles aumentados e doloridos quando temos algum processo infeccioso. São as famosas “ínguas” que incomodam nessas horas. Existe um tipo de câncer que acomete as células linfáticas: os LINFOMAS.
            Existem mais de 20 tipos diferentes de linfomas, uns mais e outros menos agressivos e existe uma classificação básica que separa os linfomas em linfoma de Hodgkin e linfomas não-Hodgkin.
·         Linfoma de Hodgkin: aparece quando um linfócito (um tipo de leucócito, uma célula de defesa) começa a se multiplicar de forma desordenada. Apresenta como sinais e sintomas principais  aumento dos linfonodos no pescoço, virilha ou axilas, febre, emagrecimento, perda de apetite, coceira na pele e suores noturnos. Quando acontece no tórax podem aparecer dores torácicas e falta de ar e no abdome plenitude gástrica e distensão abdominal
Estão em risco maior de desenvolver a doença pessoas com deficiência imunológica e pacientes que tem história familiar de linfoma de Hodgkin. O tratamento inclui poliquimioterapia com ou sem radioterapia e a doença é curável se tratada adequadamente. Se apresentar recidivas e resistência à quimioterapia o transplante de medula óssea é uma opção.
·         Linfomas não-Hodgkin: aparecem quando um tipo de linfócito chamado linfócito B se multiplicam desordenadamente. Apresenta como sinais e sintomas principais  aumento dos linfonodos no pescoço, virilha ou axilas, febre, emagrecimento, perda de apetite, coceira na pele e suores noturnos.
A biópsia diferencia um tipo de outro, o diagnóstico também é confirmado por exames de laboratório, punção lombar, tomografia computadorizada e ressonância magnética.
Após o diagnóstico a doença é classificada e estadiada: indolente,  de crescimento relativamente lento; ou agressivo, de alto grau e desenvolvimento rápido e o estágio em que se encontra.
            A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia, ou ambas. A quimioterapia consiste na combinação de duas ou mais drogas. A radioterapia é uma forma de radiação usada, em geral, para reduzir a carga tumoral em locais específicos, para aliviar sintomas, ou também para reforçar o tratamento quimioterápico, diminuindo as chances de volta da doença em localizações mais propensas à recaída.
No caso dos linfomas indolentes, as opções de tratamento variam desde apenas observação clínica, até tratamentos bastante intensivos, dependendo da indicação médica.

Para linfomas com maior risco de invasão do Sistema Nervoso Central – SNC (cérebro e medula espinhal), faz-se terapia preventiva (injeção de drogas quimioterápicas diretamente no líquido cérebro-espinhal, e/ou radioterapia que envolva cérebro e medula espinhal). Nos pacientes já com o SNC, ou que desenvolvem esta complicação durante o tratamento, são realizados esses mesmos tratamentos. Mais recentemente, a imunoterapia está sendo cada vez mais incorporada ao tratamento, isoladamente ou associada à quimioterapia.

Fonte: Instituto Nacional do Câncer