sexta-feira, 30 de setembro de 2016

Você é Aderente ao Seu Tratamento?

Você é aderente ao tratamento?
Muito se fala sobre isso, sobre a importância do paciente ser aderente ao tratamento médico. Afinal, o que é ser aderente?
Ter aderência é o paciente cumprir, dentro dos prazos determinados pelo médico, a programação terapêutica, reavaliações, exames solicitados, etc.
E de que depende a aderência terapêutica?
Depende dos dois lados. O médico precisa cada vez mais entender que, para muitas coisas, existem empecilhos de ordem prática (sócio-econômicas, locomoção), de ordem emocional que podem atrapalhar essa ou aquela programação. O médico tem de estar atento à comunicação, o quanto foi claro nas suas recomendações, o quanto o paciente ou responsável por ele (a) compreendeu daquilo tudo.
Quanto ao paciente, tem de primeiro lugar estar confiando no médico, ter em mente que toda e qualquer recomendação que vá sacrificar algo que o paciente tenha prazer em fazer ou que vá demandar algum trabalho e esforço, foi feita apenas para o sucesso terapêutico, não por qualquer outro motivo. Além disso, o paciente tem de ter em mente se compreendeu tudo. Você sabe o motivo de cada coisa recomendada? Você sabe quais são os riscos caso não cumpra a recomendação? Você sabe exatamente qual o seu diagnóstico e o que está sendo tratado? Você tem acesso ao seu médico fora do horário da consulta caso haja dúvidas ou imprevistos?
Ter ciência dessas coisas facilita a adesão ao tratamento, quem sabe o que faz e o motivo de fazer, faz com mais confiança.

Converse com seu médico!

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Os Riscos da Hipoglicemia

Que temos de cuidar do açúcar (glicose) para que fique sempre normal, é fato. O que se esquece muitas vezes é que o açúcar tem um limite superior e outro inferior. A glicose baixa (hipoglicemia) pode ser muito perigosa. 
A hipoglicemia é acontecimento frequente nos diabéticos devido ao uso de medicação para baixar a glicose. Quando associado a alimentação inadequada (pode ser em quantidade, em qualidade ou em intervalos) por vezes a glicose cai para níveis abaixo do normal e isso pode causar alguns sintomas que vão se agravando conforme a glicose vai caindo. 
O início muitas vezes é com tremores, suor frio, vai piorando o nível de consciência e a cognição podendo alcançar a desorientação e chegando a inconsciência (coma hipoglicêmico). A resposta à reposição de glicose habitualmente é excelente e sempre devemos estar atentos a, no caso de uso de medicação, que o efeito pode ser duradouro e a glicemia voltar a cair mais a frente. 
E por que é perigoso?
Temos dois órgãos que são extremamente sensíveis e dependentes da glicose: o cérebro e o coração.
A glicose é a fonte energética de escolha e a falta dela de forma aguda pode causar colapso desses órgãos, justificando o coma no caso do cérebro e no coração a coisa fica mais complicada quanto mais problemas o pacientes tem. Já sabemos devido a pacientes internados e monitorizados ou na vigência de exames cardiológicos, que a hipoglicemia aumenta significantemente a incidência de arritmias cardíacas, podendo gerar arritmias perigosas e fatais. Em seu domicílio, principalmente à noite, isso se torna ainda mais perigoso. Pode precipitar falência cardíaca, piora de um coração já fraco e culminar com a morte. 
Dietas exageradas e sem orientação associadas a exercícios intensos e medicações para emagrecer também podem levar a hipoglicemia e aumentam o risco de arritmias cardíacas perigosas. 
Paciente submetidos a cirurgia bariátrica também fazem hipoglicemia paradoxalmente após a alimentação com alimentos ricos em carboidratos. 
Vivam com saúde!

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Trombose Venosa Profunda

Uma preocupação constante dos médicos quando o paciente fica acamado por algum tempo é a trombose venosa profunda. O que vem a ser isso? É quando o sangue, sem que exista um corte, nenhuma veia sangrando coagula espontaneamente dentro das veias (maior parte das vezes de uma das pernas). Para entender um pouco disso, são necessários alguns conceitos:
Artérias: vasos sanguíneos que levam o sangue do coração para o resto do corpo para nutrir as células. São de parede muito muscular e o sangue flui sob alta pressão.
Veias: vasos sanguíneos que trazem o sangue com o resto do metabolismo das células de volta ao coração. São pouco musculares e o sangue flui mais lentamente sob baixa pressão.
            Assim sabendo, o sistema venoso por ter um fluxo mais lento e de baixa pressão, precisa muitas vezes de uma ajuda extra para que seu fluxo seja mantido e no caso das pernas, essa ajuda vem da musculatura. A cada contração da musculatura da panturrilha por exemplo (parte posterior da perna, a batata da perna), os músculos apertam as veias ajudando a impulsionar o sangue pra cima. Quando o paciente fica acamado perde essa contração muscular, o fluxo sanguíneo nas veias das pernas pode ficar muito lento, propiciando a formação de coágulos (trombos). Por isso quanto mais cedo o paciente sair da cama, melhor.

            Fatores próprios do paciente também aumentam o risco de trombose como tabagismo, uso de pílula anticoncepcional, obesidade, doenças que aumentam a coagulabilidade do sangue (doenças como diabetes, portadores de tumores malignos,  doenças autoimunes e hematológicas), vôos longos, presença de veias calibrosas e varicosas nas pernas com insuficiência venosa. O risco aumenta muito quando mais de um desses fatores são associados. Cirurgias ortopédicas nos membros inferiores e cirurgias abdominais são de especial risco para desenvolver trombose.
            Os sintomas de trombose na perna são principalmente a dor na área acometida, associado a inchaço e vermelhidão (que podem ou não estar presente, dependendo da localização e extensão da trombose), durante a palpação a área pode estar endurecida e dolorida ao toque.

                        Quando existe uma trombose nas veias profundas da perna, o risco maior é de um trombo se soltar, ascender pela veia, chegar ao coração, daí ser bombeado para o pulmão e lá ocluir um vaso pulmonar causando um evento muito grave de alta mortalidade chamado tromboembolismo pulmonar ou embolia pulmonar. Por isso, cada vez que um tratamento médico exige que o paciente fique acamado, a prevenção de trombose venosa sempre deve ser feita com medicações anticoagulantes enquanto o período de inatividade do paciente persistir.
                          Para prevenir o aparecimento da trombose, além das medicações no caso de pacientes acamados e considerados de alto risco, atentemos para os fatores do paciente. Prevenir ou tratar a obesidade, não fumar, evitar a associação entre fumo e anticoncepcional. Em casos de viagens longas, acima de seis horas, o uso de meias elásticas compressivas, levantar e andar (se possível), exercício movimentando os pés forçando a musculatura da panturrilha a contrair e até o uso de medicação se necessário. 


sábado, 10 de setembro de 2016

Conhece a Resistência a Insulina?


O organismo de pessoas com diabetes tipo 2 (as que não precisam usar insulina), das chamas pré-diabéticas (que tem glicose mais alta mas não o suficiente para serem classificadas com diabéticas) e até de alguns pacientes diabéticos do tipo I (que tem de usar insulina) travam uma silenciosa guerra contra a insulina. Essa guerra é chamada de resistência a insulina.
            Nas pessoas sem diabetes ou resistência a insulina, após a ingestão de uma refeição comum, os níveis de glicose no sangue sobem na medida que os carboidratos ingeridas vão sendo absorvidos na circulação, isso provoca uma resposta pancreática que aumenta a produção de insulina e esta vai provocar a captação dessa glicose pelos tecidos para produção de energia e especialmente no tecido gorduroso, nos músculos e no fígado. Os níveis de glicose começam a cair, a produção de insulina vai diminuindo e a glicose volta aos níveis baixos. Nos indivíduos com resistência a insulina, a insulina produzida não consegue exercer seu papel adequadamente resultando então que o pâncreas é obrigado a produzir quantidades muito maiores de insulina para obter o mesmo efeito. Na medida que a resistência a insulina aumenta, o pâncreas pode não mais conseguir produzir insulina suficiente para controlar os níveis de glicose, aparecendo assim a intolerância a glicose e por fim o diabetes tipo II.
            O que leva a resistência a insulina? Não está completamente claro porém já sabemos que o excesso de peso (especialmente a gordura abdominal), o sedentarismo, a idade e fatores genéticos são fortes contribuintes para tornar o organismo resistente a insulina.

            E como combatê-la?
            Exercícios físicos podem dramaticamente reduzir a resistência a insulina, a atividade muscular aumenta a absorção de glicose pelos músculos por mecanismos independentes da insulina, a redução da ingesta de carboidratos rápidos (aqueles de rápida absorção e que levam a picos altos de insulina), a perda de peso de uma forma geral  e, se necessário, o uso de medicamentos podem combater a resistência a insulina. Os paciente submetidos a cirurgia para tratamento de obesidade mostram grande redução na resistência a insulina na medida que vão perdendo peso, se alimentando de forma saudável e vão para a atividade física, podendo inclusive se verem livres.

sábado, 3 de setembro de 2016

Prebióticos, Probióticos, Simbióticos e Xenobióticos

No último texto falei da importância ma flora intestinal (a chamada microbiota intestinal) para o funcionamento do organismo, sistema imunológico, obesidade e outras coisas. Hoje falarei um pouco sobre alimentos que impactam nessa flora para o bem e para o mal. Nesse contexto, é necessário que entendamos alguns conceitos:

Alimentos probióticos: são alimentos que contém microorganismos da nossa flora intestinal e, quando ingeridos, ajudam a restaurá-la e aumentam de forma adequada a concentração de bons microorganismos melhorando assim o funcionamento intestinal, a barreira defensiva que ele representa. Ex: produtos preparados, suplementos e lácteos como iogurtes e derivados lácteos que contém lactobacillus ou bifidobacterias.

Alimentos prebióticos: são alimentos que sofrem fermentação no nosso intestino e assim estimulam o crescimento de bactérias adequadas da flora intestinal, agindo indiretamente, como os probióticos mas não por conter os microorganismos mas por estimular seu crescimento. Ex: cebola, alho, aveia, trigo, banana, tomate, banana, cevada, mel, chicória, aspargos, alcachofra.


Alimentos simbióticos: são os alimentos que contém as duas características, ou seja, são probióticos (contém microorganismos) e prebióticos (contém fibras que serão fermentadas e estimularão o crescimento de microorganismos necessários). Ex: normalmente você realiza a simbiose quando mantém uma ingestão balanceada de prebióticos e probióticos ou encontra alimentos preparados (suplementação ou manipulação) que devem ser prescritos por profissionais adequados.

Xenobióticos: são substâncias estranhas ao organismos, tóxicas, que impactam negativamente na flora intestinal, reduzindo-a ou selecionando microorganismos prejudiciais ao funcionamento intestinal. Ex: a lista é grande, estamos falando de antibióticos, medicamentos, corantes, conservantes, pesticidas, metais tóxicos, adoçantes, hormônios, aditivos do plástico, cigarro, poluentes do ar, etc.

            Vale ressaltar que essa lista de xenobióticos está presente, infelizmente, em diversas coisas consumidas diariamente em alimentos, medicamentos, cosméticos, etc. 

sexta-feira, 29 de julho de 2016

Microbiota Intestinal - um micro mundo de imensas funções

Todos nós temos dentro do nosso intestino uma população imensa de microorganismos que formam a nossa microbiota intestinal. Esses organismos, que entram na nossa vida logo após o nascimento, tem um importante papel na nossa vida, muito mais do que se imagina.
            Estudos tem mostrado que alterações nessa microbiota (prevalência de determinadas espécies sobre outras) podem ser não únicos mas muito responsáveis por uma série de problemas como obesidade, diabetes, doenças inflamatórias intestinais, intestino irritável, câncer de intestino entre outras. A  obesidade, preocupação crescente no mundo todo, tem sido alvo de estudos e cada vez mais a microbiota intestinal tem um papel definitivo tanto no desenvolvimento da obesidade quanto no tratamento dela. A terapia alimentar restritiva isolada, como mecanismo de emagrecimento, não é de hoje que tem se mostrado com alto índice de falha para tratar a obesidade e é certo que se precisa de algo mais.
            Nessa linha de tratamento, vem ganhando importância os prebióticos (alimentos que induzem alterações benéficas na microbiota intestinal tanto na composição, tanto na atividade) e os probióticos (os próprios microorganismos que, ingeridos na quantidade correta, alteram de forma correta e benéfica a flora intestinal). Análise da microbiota intestinal de pacientes submetidos a cirurgia bariátrica mostram importantes modificações nesses pacientes. Uma forma de tratamento que tem se mostrado eficaz, ainda experimental, mas com resultados promissores é o transplantes fecal. Isso mesmo, inserção de microbiota saudável de um doador num receptor tem se mostrado bastante eficaz para restabelecimento de uma microbiota adequada.


            Está comprovado que a microbiota intestinal interfere em várias vias metabólicas, no mecanismo de saciedade cerebral e na resistência a ação da nossa própria insulina, controle glicêmico, imunidade e inflamação entre outros. O restabelecimento de uma microbiota saudável é fundamental para o adequado tratamento e controle dessas mazelas.
            

sexta-feira, 15 de julho de 2016

Você conhece a Miastenia Gravis?

Esta semana me deparei com dois casos de uma patologia incomum (estimada em cerca de 150 casos/milhão) que apareceram no mesmo dia em estágios diferentes que, com a ajuda preciosa e luxuosa do neurologista, o diagnóstico foi concluído e os pacientes foram tratados adequadamente. Estou falando de MIASTENIA GRAVIS.
            Essa doença é caracterizada, como o próprio nome sugere (mio = músculo e astenia = fraqueza) por uma fraqueza muscular importante que mais comumente acomete a musculatura ocular e das pálpebras porém pode acometer outros músculos do corpo e é causada por autoimunidade. O próprio corpo fabrica anticorpos que agem na junção do nervo (neurônios, células nervosas) com o músculo. Isso atrapalha a transmissão do impulso nervoso para os músculos e ele vai deixando de responder. Nos portadores de miastenia gravis, quanto mais vc usa o músculo, mais fraco ele fica.

Sintomas de miastenia gravis estão associados aos grupos musculares atingidos e podem ser:
 - dificuldade de respirar (fraqueza da muisculatura torácica)
 - engasgos (comprometimento da musculatura da deglutição)
 - difuculdade de subir escadas, levantar-se ou levantar objetos
 - pálpebras caídas, aparência de face “caída”
 - diplopia (visão dupla por comprometimento da musculatura ocular)
- rouquidão, mudanças na voz
- fadiga generalizada
            O diagnóstico inclui identificação dos anticorpos, exames de imagem do tórax pois alguns tumores de um órgão do sistema imunológico chamado timo podem ser causadores dessa patologia e estudos da condução dos nervos.
            Não há cura para miastenia, ela pode entrar em remissão, o paciente levar uma vida próxima do normal e ter crises miastênicas com piora dos sintomas. O tratamento inclui imunossupressores para reduzir a produção de anticorpos, drogas que melhoram a transmissão dos impulsos nervoso para os músculos, plasmaférese (procedimento onde os anticorpos são retirados da circulação) , imunoglobulinas, cirurgia de remoção do timo e medidas como repouso, evitar calor excessivo, fisioterapia e fonoaudiologia ajudam a preservara a musculatura, previnem complicações como broncoaspirações (ir conteúdo alimentar pra tubo respiratório) enquanto o tratamento progride.
            Fale com seu médico.