sexta-feira, 11 de março de 2016

Cirurgia Bariátrica em Insuficiência Cardíaca


          Comumente vemos pacientes portadores de obesidade grau III submetendo-se a cirurgia bariátrica como tratamento após as muitas tentativas de tratamento. Além disso, observamos também que muitos paciente que, secundários a obesidade, desenvolvem hipertensão, diabetes, problemas articulares e respiratórios para citar alguns exemplos e a cirurgia com conseqüente perda de peso não raro promovem o controle dessas patologias livrando o paciente muitas vezes da medicação. Nota-se, contudo, que a maioria imensa dos pacientes que se submetem a cirurgia não tem doenças cardíacas definitivas e que a perda de peso constitui importante fator para reduzir o risco cardiológico do paciente. Mas e quanto ao que já tem doença estabelecida? Aquele que já tem o coração grande e fraco?
            O Journal of the American College of Cardiology publicou esta semana um trabalho onde eles acompanharam pacientes portadores de insuficiência cardíaca (coração fraco na maioria das vezes) que foram submetidos à cirurgia bariátrica e acompanharam após para avaliar a incidência de internações por exacerbações de insuficiência cardíaca e os resultados foram animadores. Após a cirurgia houve uma significante queda nas internações e atendimentos em emergência causado por insuficiência cardíaca e essa queda foi ainda mais pronunciada após 13 a 24 meses após a cirurgia.

            Importante salientar que a cirurgia bariátrica NÃO CURA a insuficiência cardíaca mas promoveu significativa melhora na necessidade de atendimentos e internações por conta dela, ou seja, melhorou bastante  o controle da enfermidade e a qualidade de vida do paciente. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Se for magro pode?


             Com tantos tratamentos, fórmulas e receitas para emagrecer por aí, é certo que alguns sacrifícios deverão ser feitos para os que buscam uma vida mais saudável e concomitante redução de peso. Partindo dessa premissa, aqueles que são geneticamente “favorecidos” com um biotipo mais magro se vêem e são vistos com alguma vantagem. Quando uma pessoa magra recusa comidas muito gordurosas, excesso de carboidratos ou não repete a terceira vez uma comida muito gostosa é comum ouvir de alguém a frase: come! Você é magro e você pode! Será que pode?
            Não é de hoje que são conhecidos os vários malefícios da saúde do acúmulo de gordura corporal e principalmente aquela do abdome (a barriguinha) que é uma gordura visceral. Essa está associada a hipertensão, diabetes, aumento do risco cardiovascular no geral. Porém a pessoa com peso normal não está imune aos malefícios dos alimentos ruins pra saúde. Elas podem até não engordar e nos exames laboratoriais as taxas comumente dosadas estarem normais porém não fogem aos picos de insulina causado pelos açúcares, não fogem às reações inflamatórias do glútem, não fogem aos cancerígenos conservantes e defensores agrícolas, não escapam da maior incidência de placas de gordura que depositam nos vasos das gorduras ruins, não desviam dos danos hepáticos do álcool. Não engordar é um ponto (a favor, sem dúvida) porém não isenta o indivíduo dos nefastos efeitos causados pelos alimentos processados, industrializados, ricos em gorduras, açúcares e sódio (sal). Além disso, nem sempre o magro aos olhos estéticos se confirma a uma medida fidedigna de gordura corporal mostrando que os olhos nos enganam facilmente.

            Cuide do que é ingerido e leve uma vida mais saudável, independente de seu peso. Pratique exercícios, prefira alimentos naturais e se hidrate bem. Remédios não trazem saúde, vida saudável sim.

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Feocromocitoma, já ouviu falar?


Recentemente fui solicitado a atender um paciente jovem com histórico de distúrbios psiquiátricos com hipertensão arterial muito severa. Além disso, a despeito da medicação usada, ele fazia crises de pressão alta muito graves nos momentos em que apresentava os surtos psiquiátricos com grave agitação. Na consulta inicial ele estava bem porém logo deu entrada na emergência e fui chamado. O quadro apresentava pressão muito alta, paciente muito agitado, taquicárdico (coração batendo muito rápido), estava pálido e com as pupilas dilatadas. Após medicação para controlar o quadro emergencial solicitei a internação e solicitei alguns exames que confirmaram o diagnóstico: feocromocitoma.
O feocromocitoma é um tumor originário da glândula supra-renal, pode ser maligno ou benigno e tem como característica secretar enormes quantidades de adrenalina na circulação. Quando isso ocorre o paciente entra em crise de de hipertensão arterial, batimentos acelerados, pode ficar agitado e isso causar confusões diagnósticas. O diagnóstico é sugerido por exames laboratoriais, mostrando níveis elevados das substâncias secretadas pelo tumor e conformado através de exames de imagem que mostram o tumor e o tratamento normalmente é cirúrgico, retirando-se o tumor. Se for maligno as medidas adjuvantes como radioterapia podem ser avaliadas caso a caso.
Feocromocitoma é uma causa de hipertensão a ser investigada sempre que esta se apresentar refratária, de difícil controle, se mostrar em “crises” e acompanhada de  sintomas como taquicardia, agitação, palidez, tremores. Eventualmente a crise de liberação de adrenalina pode ser desencadeada por palpação do abdome num exame médico, um trauma abdominal leve, etc.

Fale com seu médico!

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Síndrome de Guillain Barre


        Tem-se falado muito sobre o Zika vírus e a microcefalia quando gestantes são infectadas mas um outro problema que tem sido associado numa incidência aumentada após a infecção pelo Zika vírus é a Síndrome de Guillain Barre.
            Essa síndrome se caracteriza por uma agressão do sistema imunológico aos nervos periféricos e essa agressão atrapalha a transmissão dos impulsos nervosos do cérebro aos locais acometidos. Não se sabe ao certo os motivos pelos quais isso acontece mas estão bem documentados casos após uma infecção, após cirurgias e após vacinas. Todas situações que estimulam o sistema imunológico.
     Inicialmente os sintomas usualmente são fraqueza e formigamento nos membros inferiores que podem ascender pelo corpo com a progressão. Isso pode culminar com a paralisia da musculatura inclusive a respiratória, levando a necessidade de uso de respiradores artificiais para manutenção da vida nos casos mais severos. É uma patologia grave e é risco de morte para quem desenvolve. Na maioria dos casos os sintomas progridem, se estabilizam e depois começam a regredir e como em toda e qualquer patologia, existem os casos mais brandos de bom prognóstico e os mais severos que colocam a vida em risco normalmente por insuficiência respiratória.

            O tratamento é a plasmaférese, uma técnica de filtração que retira os anticorpos da circulação e a injeção de imunoglobulinas para combater a autoimunidade. A internação é mandatória e a fisioterapia para reabilitação da área acometida deve ser logo inciada e se mostra muito importante após a remissão do quadro. 

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Testosterona e risco cardiovascular



          Já está bem documentado a queda na qualidade de vida do homem quando apresenta queda além da fisiológica dos níveis séricos de testosterona. Condições patológicas por doenças crônicas como diabetes, distúrbios da hipófise ou distúrbios primários dos testículos podem levar a uma queda da produção de testosterona. Existe também o distúrbio androgênico do envelhecimento masculino (DAEM), relacionada a idade, entidade que cursa com queda dos níveis de testosterona.
            Em fevereiro de 2016 o Journal of the American College of Cardiology (JACC) publicou artigo que fala sobre os riscos cardiovasculares do hipogonadismo masculino (queda de testosterona). Uma revisão de artigos mostrou que paciente com níveis normais de testosterona estão sob menor risco de aterosclerose de aorta abdominal além de pacientes com doença coronariana detectada tem níveis de testosterona mais baixo que o controle. Outro estudo mostrou relação entre baixos níveis de testosterona e doença coronariana precoce em homens com 45 anos ou menos além de correlação entre espessamento da parede da carótida e níveis mais baixos de testosterona em homens de meia idade com diabetes tipo II.

            Esses dados falam a favor de um benefício maior para a saúde e longevidade na reposição de testosterona quando níveis baixos são detectados. Os dados de segurança na reposição também estão avançando  a terapia de reposição de testosterona (TRT) é uma realidade. 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Miocardiopatia Periparto

 Miocardiopatia periparto é uma forma de insuficiência cardíaca que acomete mulheres no final da gestação ou no puerpério (logo após o parto). Ela é rara porém de graves conseqüências.
            Para ser definida como miocardiopatia periparto ela tem ter início no último mês de gestação ou nos 5 meses após o parto, não ter outra causa identificável de miocardiopatia e ter disfunção ventricular esquerda sistólica (perda de força de contração do ventrículo esquerdo do coração). Evidências mostram que sua causa seja inflamatória. Mediadores químicos causam uma inflamação miocárdica (miocardite) e esta provoca a disfunção ventricular. Estatísticamente estão mais propensas a desenvolver a miocardiopatia periparto as multíparas (múltiplos filhos), as afro-descendentes, idade acima de 30 anos,  gemelares e as que desenvolveram eclampsia, pré-eclâmpsia e hipertensão pós-parto. Após a suspeita diagnóstica, o principal exame a ser realizado é o ecocardiograma que vai aferir com boa precisão as medidas e a função miocárdica e então diagnosticar ou não a miocardiopatia periparto.
            Sintomas que ocorrem são os comuns de insuficiência cardíaca como falta de ar, tosse, taquicardia, intolerância à posição deitada, etc. O tratamento deve ser medicamentoso com as drogas habituais para insuficiência cardíaca respeitando as possíveis interações e malefícios ao feto ou recém nascido. O prognóstico é muito variável, também estudos mostram que o severidade da disfunção ventricular, o tamanho do coração, a idade materna, surgimento tardio dos sintomas, multiparidade e presença de distúrbios no eletrocardiograma estão associados com pior prognóstico e uma gravidez subseqüente pode agravar ainda mais o disfunção miocárdica.

domingo, 20 de setembro de 2015

Risco Cardiovascular

             Muitas condutas dentro da medicina são pautadas no grau de risco do paciente para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. Baseado nesse risco, podemos ser mais ou menos agressivos quando se trata de dar remédios, de medidas de controle, em metas a serem alcançadas tanto físicas tanto laboratoriais. Para ilustrar vou dar um exemplo: um paciente que chega com colesterol alto no consultório, se ele só tiver o colesterol alto e mais nada insistiremos na dieta e nos exercícios físicos e daí repetiremos o exame em alguns meses. Porém se ele for diabético, hipertenso, ele ganhará o remédio pra baixar o colesterol além sempre da dieta e doas exercícios físicos. Por que isso? Pelo fato dele ser hipertenso e diabético o risco dele desenvolver doença cardiovascular é maior do que se não fosse.
            Temos então entre os fatores de risco aqueles que a gente pode abolir (cigarro, sedentarismo, obesidade, alimentação inadequada, gordura abdominal), aqueles que podemos controlar e até curar em casos específicos (hipertensão, diabetes, colesterol alto) e o que não podemos modificar (história familiar, genética). Na medida que os fatores de risco se somam, o risco cardiovascular aumenta e, estatisticamente, essa pessoa está sob maior risco sempre  de ter um infarto do miocárdio ou um acidente vascular cerebral. Quando são detectadas lesões nos órgãos esse risco aumenta muito como por exemplo um coração já crescido num paciente hipertenso, vasos da retina alterados, função renal alterada num paciente diabético, placas de gordura nos vasos e por isso as medidas devem ser ainda mais agressivas.
            Quando o médico insiste na importância de modificação de hábitos de vida, da alimentação, na necessidade da realização de exercícios físicos, o que queremos e última instância é retirar o paciente dessas estatística sombria das doenças cardiovasculares que consistem na maior causa mundial de morte não traumática. Além disso, trocar o salgadinho por salada, o hambúrguer por peixe fresco é infinitamente mais baratos do que cateterismos, próteses coronarianas, cirurgias cardíacas e remédios de toda sorte pro resto da vida mesmo para aqueles que saem bem de um infarto ou acidente vascular cerebral. A feira é melhor do que a farmácia!

            Pensem nisso!