sexta-feira, 1 de julho de 2016

Musculação em Crianças e Adolescentes, Pode?

Recentemente uma amiga, mãe, médica me abordou sobre uma dúvida se seu filho de 12 anos deveria ou não começar a realizar treinos de musculação. Entrando na adolescência, o menino que é magro certamente deseja obter músculos com objetivos outros que não a saúde propriamente dita porém a salutar dúvida da mãe me suscitou a pesquisar e escrever este texto. É indicado o treino de força para crianças e adolescentes?
Revisando artigos, praticamente a unanimidade deles fala que sim, é possível, desejado e benéfico o treinamento de força entre
crianças e adolescentes atletas e não atletas e com 8 a 12 semanas de treino elas podem aumentar em até 50% sua força porém, óbvio, o treino não deve ser realizado da mesma forma que o treino em adultos formados. Crianças estão em crescimento, cartilagens epifisárias (responsáveis pelo crescimento) representam pontos de fragilidade e a hipertrofia muscular como a desejada pelos adultos na musculação não é desejável nesta época. Além dos exercícios de força, são recomendados exercícios de agilidade, resistência e pliometria (modalidade que envolve exercícios como saltos e lançamentos que promovem alongamento e depois uma rápida e vigorosa contração muscular) e o cuidado para que, nos exercícios de força com pesos, não se busque atingir o peso máximo. Exercícios com peso máximo e o halterofilismo olímpico só devem ser praticados após a completa maturação do sistema esquelético.


As lesões descritas nos estudos relacionadas ao treino de força em crianças e adolescentes estão relacionadas mais ao mau uso do equipamento, má postura, pesos inadequados do que ao fato de ser em criança em si. E é de FUNDAMENTAL IMPORTÂNCIA a supervisão de um profissional de educação física que esteja habituado a trabalhar com crianças e adolescentes. O ganho de força, desempenho, saúde e inequívoco, não compromete o crescimento e deve ser encorajado. A interação entre o pediatra e o profissional de educação física é sempre bem-vinda. 

sexta-feira, 17 de junho de 2016

Atestado para atividade física


  Figura comum nos consultórios médicos, os pacientes supostamente saudáveis que vem em busca de atestado médico para atividade física mostram que, ainda bem, as atividades físicas tem cada vez mais adeptos. Porém, nem sempre eles ficam satisfeitos quando o médico (na maioria das vezes cardiologista) não emite o atestado na hora e pede exames para só depois fazer o atestado.
Frases como: “eu não tenho nada”, “já faço há muito tempo”, “nunca senti nada” são frases comuns que ouvimos, principalmente dos mais jovens que querem ter suas demandas atendidas. Pois bem, não é tão simples assim. Uma simples lida diária em noticiários mostra que não é tão raro pessoas terem problemas durante atividade física. Quando um provedor de serviços solicita uma avaliação de uma médico, ele quer que esse médico diga que está tudo bem para a prática de tal atividade.
O grande temor dos médicos é a chamada “morte súbita” que, embora chamem comumente de ataque cardíaco ou infarto do miocárdio, consiste numa arritmia fatal. A atividade elétrica do coração entra em colapso e as contrações cessam, o coração para. Nos de mais idade, é imperioso afastar a existência de doença nas coronárias, que levam ao infarto e também a arritmias sérias. Dessa forma, todos os candidatos a atividade física devem ter sua história médica e familiar avaliada pelo médico, serem examinados e, no mínimo, um eletrocardiograma. Para os que forem encontrados elementos de risco na história, no exame físico, outros exames devem ser solicitados como teste ergométrico e ecocardiograma.
Todos aqueles que pretendem encarar atividades de alta intensidade ou de competição devem submeter-se a pelo menos um teste ergométrico, independente de faixa etária ou história clínica. O atestado médico não é só um papel, algo sem importância pra ajudar o paciente, é um documento que confere responsabilidade civil ao médico, deve ser concedido com tanto critério quanto qualquer conduta médica. 

sexta-feira, 3 de junho de 2016

Vitamina D em pacientes com insuficiência cardíaca - um novo futuro?

De algum tempo para cá tem sido diagnosticadas cada vez mais pessoas com deficiência D. Tem sido um modismos solicitar a dosagem e prescrever a reposição de vitamina D e cada vez mais funções além da prevenção da osteoporose tem sido atribuídos a vitamina D. Partindo desse ponto, um pequeno estudo chamado VINDICATE avaliou efeitos da suplementação de vitamina D em pacientes com insuficiência cardíaca crônica (coração fraco) com deficiência de vitamina D.
Foram avaliados 229 pacientes, maioria de homens com insuficiência cardíaca e deficiência de vitamina D documentadas e um grupo submetido e 1 ano de suplementação de vitamina D e outro grupo a placebo além da medicação e medidas não farmacológicas clássicas para o tratamento da insuficiência cardíaca. Os resultados foram avaliados através do teste de caminhada de 6 minutos que avalia o distância percorrida e as condições clínicas após andar por 6 minutos e pelo ecocardiograma.

            Os resultados mostraram que, apesar de não ter havido diferença no teste de caminhada, houve significativa melhora na função cardíaca e nas medidas das cavidades cardíacas ao ecocardiograma, o que pode ser um achado promissor.  Como foi um trabalho com pequeno número de pacientes, maiores estudos são necessários para mostrar de forma inequívoca um benefício da suplementação de vitamina D em pacientes com deficiência de vitamina D e insuficiência cardíaca.

            Vamos aguardar.

sexta-feira, 27 de maio de 2016

Quedas em idosos, perigo constante!

Na semana passada escrevi sobre o risco aumentado de quedas quando se inicia ou altera o tratamento com remédios de pressão (anti-hipertensivos) para idosos, então hoje vou falar de uma forma geral sobre quedas nos idosos, população tão susceptível a elas.
          Por que os idosos caem mais?
     Porque tem uma série de fatores que levam a isso como: fraqueza muscular, perda de equilíbrio, piora significativa dos reflexos, piora dos sentidos (no caso das quedas principalmente visão e audição) e piora nos mecanismos de auto-regulação de pressão arterial e freqüência cardíaca. Então o idoso, mesmo sem patologias, muito mais comumente tropeça em pequenos desníveis, tapetes, uma leve escorregada que os mais jovens conseguem se equilibrar e apoiar são suficientes para uma queda num idoso. Um animal de estimação que esbarre as pernas, uma criança, um chão liso. Tudo isso são riscos potenciais de queda para o idoso.  Fora as condições patológicas: problemas neurológicos que atrapalhem a locomoção (ex: mal de Parkinson), perda excessiva de massa muscular pela inatividade (tira a possibilidade de defesa ante uma queda iminente pois o idoso não consegue sustentar-se), patologias e medicações cardiovasculares que provocam quedas abruptas da pressão arterial quando fica de pé.

       E por que a queda no idoso é mais arriscada?                Primeiro pela ausência de reflexos, eles caem sem defesa e os traumas principalmente na cabeça (traumas cranianos) acontecem com maior violência e ossos mais fracos, usualmente pela osteoporose, provocam fraturas com bem mais facilidade. A mais temida é a fratura de fêmur, que obriga muitas vezes a cirurgias, mantém o idoso acamado e tem o risco de muitas complicações como pneumonias, embolia pulmonar, feridas causadas pelo tempo deitado, todas com potencial risco de morte pro idoso. Muitas quedas acontecem na hora de se levantar, a mudança da posição de sentado ou deitado para em pé muitas vezes provoca desequilíbrios, pressões baixas e gera queda.

          Precisamos nos manter atentos aos sinais de risco como andar prejudicado, alguma desorientação, pequenos desequilíbrios, piora acentuada da visão e audição e fraqueza geral. Medidas ambientais que podem ajudar incluem: retirada de tapetes e/ou
coisas que possam prender o pé do idoso, atenuar pequenos degraus, colocar corrimões em escadas, evitar pisos escorregadios, colocar apoios para as mãos no box e ao lado do vaso sanitário assim como antiderrapantes. Idosos fisicamente ativos tendem a ter bem menos quedas, uma atividade física que atenue a perda muscular e estimule seu equilíbrio é fundamental.

domingo, 22 de maio de 2016

Uso de medicação para hipertensão e risco de queda em idosos

É sabido que idosos não costumam tolerar bem pressões um pouco mais baixas. Os mecanismos de regulação, o tono muscular, a resposta cardiológica já estão prejudicadas pela idade e também pelo uso de medicação e com isso, o risco de queda aumenta. Mais que na população mais jovem, as quedas podem ter piores conseqüências como traumas cranianos e fraturas de fêmur. Os idoso constituem, por isso,  pela sua fragilização, um grupo especial nesse sentido. Pensando nisso foi avaliado o risco de queda em idosos após o início ou intensificação do tratamento anti-hipertensivo em idosos já que, como grupo vitima da hipertensão, o uso de medicação é bastante necessário.


            Foi visto numa análise de prontuários que o risco de queda em idosos aumentou significantemente nos primeiros 15 dias após início ou ajuste da medicação anti-hipertensiva quando aumentada dose ou associada medicação. A busca incessante por níveis normais de pressão nesta população deve ser balanceada pelo risco cada vez maior conforme o passar dos anos de quedas da própria altura com conseqüências cada vez mais nefastas. Todos os envolvidos no processo devem ser muito cuidadosos: o médico prescritor (ter o cuidado de medir a pressão sentado e de pé quando possível nas avaliações),  a família vigilante, o idoso dependendo do grau de lucidez a identificar sintomas que sejam predisponentes como tonteiras ao levantar e vertigens para que o tratamento seja bem feito sem causar danos. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

O que comer?

A vida saudável passa por alimentação saudável, não há como fugir disso. Exames laboratoriais normais não refletem necessariamente saúde e os venenos que comemos diariamente cedo ou tarde vão cobrar seu preço. Baseado nisso, a pergunta constante nos consultórios médicos é: "o que posso comer?".
Com raras exceções, médicos não tem boa formação nutricional, para isso existem os nutrólogos e principalmente os nutricionistas, profissionais com formação específica para cuidar da nutrição das pessoas porém, infelizmente, nem todos tem acesso e nem sempre a orientação de procurar um nutricionista nem sempre é atendida. 
Baseado nisso, o American College of Cardiology publicou recentemente uma orientação geral, baseado em estudos que mostram benefícios e malefícios cardiológicos de coisas corriqueiras que comemos e uma orientação simples sobre isso. Ressalto, isso é apenas uma orientação genérica, não leva em conta doenças, problemas individuais e de forma nenhuma substitui a avaliação de um profissional de nutrição mas nos fornece uma ideia de coisas que comemos e bebemos que podem ser vilões ou não, dependendo das quantidades e da forma. 

CONSUMIR MAIS
Frutas
3 porções por dia
Preferir comer a fruta a sucos 100% integrais. Limitar sucos a 1 comp por dia.

Nozes, sementes
4 porções por semana
escolher variedades

Vegetais (legumes e verduras exceto batata comum)
3 porções por dia

Grãos integrais minimamente processados
3 porções por dia
escolher aqueles com pelo menos 1g de fibra para cada 10g de carboidratos.

Peixes e mariscos
2 ou mais porções por dia
preferir os peixes ricos em óleo como salmão, arenque, truta, cavala e sardinhas.

Laticínios especialmente iogurte e queijo
2 a 3 porções por dia
a escolha entre integral ou desnatado deve ser feita pela preferência ou objetivo de cada um. Não há evidência suficiente de benefícios entre um e outro.

Óleos vegetais
2 a 6 porções ao dia
Preferência por óleos polinsaturados como azeite extra-virgem, canola ou soja.

CONSUMIR MENOS

Grãos refinados, amido, açúcares
Não mais que 1 ou 2 porções ao dia.

Carne processada
Não comer.
Ex: cachorros-quentes, bacon, salsicha, pepperoni, salame, frango processado, peru e presunto

Carne vermelha
2 a 3 porções por semana.

Gorduras trans industriais
Não comer
Evitar comidas feitas com óleos vegetais hidrogenados.

Bebidas adoçadas
Não beber
Incluem: refrigerantes, bebidas energéticas, esportivas, ice tea, etc.
Deve-se levar em conta não só a quantidade de açúcar em si mas o fato de que açúcares com baixo teor de fibras e refinados são igualmente prejudiciais.

Álcool
1 drink ao dia para mulheres e 2 drinks por dia para o homem.
Para os que tem o hábito de beber, consumo leve não traz problema.
Não há diferença entre vinho, cerveja e destilados.

Sódio
Não mais que 2g ao dia.
Evitar acrescentar embalagens de restaurantes no alimento servido.
As principais fontes incluem pão, frango, queijo, carnes processadas, sopas e alimentos enlatados.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Hipertensão Arterial Matinal e a Incidência de Doença Coronariana e Acidente Vascular Cerebral

Falo hoje aqui sobre mais um artigo recente publicado que é o resultado de um estudo chamado HONEST que avaliou a importância da medida matinal da pressão arterial e correlacionou com a incidência de doença coronariana (placas de gordura que obstruem as coronárias que são as artérias que nutrem o coração) e acidente vascular cerebral (AVC). Nesse estudo foram avaliados mais de 21mil pacientes TRATADOS de hipertensão e demonstrou que o número de AVCs foi significantemente maior naqueles que a pressão arterial matinal estava acima de 145mmHg (14,5) e a incidência de doença coronariana foi significantemente maior naqueles cuja pressão arterial matinal estava acima de 155mmHg (15,5).

       Isso traz à tona uma importância não conferida anteriormente a pacientes que amanhecem com a pressão alta e que demonstram, na média, a pressão controlada no decorrer do dia. O estudo classificou a pressão arterial matinal com um forte preditor de doença arterial coronariana e acidente vascular cerebral no futuro.