segunda-feira, 23 de junho de 2014

Hanseníase


       A Hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença contagiosa de grande impacto em saúde pública. Ela á causada por uma bactéria da família da bactéria da tuberculose, o Mycobacterium leprae que ataca, principalmente, pele e o sistema nervoso. Os sintomas principais são:
·          Manchas esbranquiçadas, avermelhadas ou amarronzadas em qualquer parte do corpo com perda ou alteração de sensibilidade;
·          Área de pele seca e com falta de suor;
·          Área da pele com queda de pêlos, especialmente nas sobrancelhas;
·          Área da pele com perda ou ausência de sensibilidade;
·         Sensação de formigamento (parestesias) ou diminuição da sensibilidade ao calor, à dor e ao tato. A pessoa se queima ou machuca sem perceber.
·         Dor e sensação de choque, fisgadas e agulhadas ao longo dos nervos dos braços e das pernas, inchaço de mãos e pés.
·         Diminuição da força dos músculos das mãos, pés e face devido à inflamação de nervos, que nesses casos podem estar engrossados e doloridos.
·         Úlceras de pernas e pés.
·         Nódulo (caroços) no corpo, em alguns casos avermelhados e dolorosos.
·         Febre, edemas e dor nas juntas.
·         Entupimento, sangramento, ferida e ressecamento do nariz;
·         Ressecamento nos olhos;
·         Mal estar geral, emagrecimento;
·         Locais com maior predisposição para o surgimento das manchas: mãos, pés, face, costas, nádegas e pernas
Importante: Em alguns casos, a hanseníase pode ocorrer sem manchas.
            O contágio se dá quando uma pessoa infectada e não tratada elimina o bacilo pelas vias respiratórias e assim contagia, para que outro fique doente é necessário que haja susceptibilidade, ou seja, nem todos os infectados adoecerão. Importante ressaltar que a doença NÃO se transmite por contato íntimo, copos e talheres, relação sexual, assentos, sanitários e outras formas de contato.

            O tratamento se faz com antibióticos específicos, ambulatorialmente (não precisa internar) e cura. Rapidamente após o início do tratamento o paciente deixa de ser infectante. Quando não tratada adequadamente a hanseníase pode causar deformidades físicas incapacitantes, aparecendo os estigmas dos “leprosos” vistos mais antigamente. 

domingo, 15 de junho de 2014

Aderência ao Tratamento e Prevenção


            Na nossa prática médica esbarramos com várias negativas por parte dos pacientes: “não gosto de tomar remédio”, “não gosto de médico”, “esse exame eu não faço”, “não me fale em cirugia”, além das dificuldades para que o paciente abra mão de hábitos e gostos que vão de encontro a patologias que estejam em tratamento. Interrupção do tabagismo, do álcool, melhora dos hábitos alimentares e prática de atividade física são alguns exemplos de hábitos que os pacientes precisam melhorar.
            Remédios não fazem milagres sozinhos, tomar os remédios e continuar a estimular doenças com maus hábitos é um “morde e assopra” e a chance de insucesso no tratamento é grande. Somos educados desde cedo que devemos “comer bem” e crianças magrinhas sempre ouvem “está tão magrinho” dos seus familiares e doces, frituras e fast foods vem sem restrições.

            Mudar esses hábitos depois da vida adulta é sempre mais difícil, requer muito mais vontade, muito mais força e muito mais tempo. Sem falar que quase sempre já vem acompanhado de algum problema de saúde e deixa de ser prevenção para ser tratamento. Basta uma simples olhada em qualquer grupo de crianças e quase sempre vemos crianças acima do peso, a obesidade infantil nos dá um termômetro de como as crianças comem errado e, acreditem, isso sempre trará conseqüências futuras. 

sábado, 14 de junho de 2014

Ressonância Magnética do Coração


        Já falei aqui de vários exames cardiológicos: eletrocardiograma, teste ergométrico, MAPA, cateterismo, etc. Hoje falo de um exame que vem ganhando cada vez mais espaço na cardiologia: a ressonância magnética.
            Este exame, que mostra com impressionante detalhamento as estruturas, tem importância crescente para mostrar não só como está anatomicamente o coração mas também como uma avaliação funcional e diagnóstica. Com a ressonância é possível avaliar a extensão de um infarto, se existe viabilidade em determinada área no coração e se assim vale a pena uma abordagem invasiva (cirúrgica ou por angioplastia), se existe cardiopatia estrutural como fonte de arritmias graves, uma precisa análise do desempenho cardiológico, se a disfunção tem origem isquêmica (obstrução de artérias) ou inflamatória (miocardite).

            Ainda esbarramos em alguns entraves como alto custo (principalmente na medicina pública), pouca gente capacitada para realização e interpretação do exame, mas o desenvolvimento e maior popularização do método parece ser inexorável.  Os exames cardiológicos existentes não podem ser  “jogados fora” pelo advento da ressonância magnética, todos eles tem seu valor, suas indicações e tem suas evidências mostradas em trabalhos muito bem estruturados. A ressonância vem acrescentar qualidade, precisão, informações diagnósticas e prognósticas para a avaliação de cardiopatias. 

Retorno!

         Após alguns meses de sumiço por problemas pessoais, volto hoje esperando conseguir manter a regularidade nas postagens do blog. 

Obrigado!

domingo, 6 de abril de 2014

Gordura Abdominal


           Venho falar hoje sobre algo muito comum em muitas pessoas que conhecemos e observamos: a barriguinha. Fora casos específicos como gravidez e ascite (água no abdome), a barriguinha proeminente significa acúmulo de gordura abdominal e, além da estética, tem outros problemas muito mais importantes.
            O acúmulo de gordura nos órgãos internos está relacionado com o aparecimento de doenças graves. Ao contrário do que se pensava, a gordura não é uma coisa inerte que só se acumula e que altera a forma do nosso corpo. A gordura é metabolicamente ativa, secreta substâncias, reage a outras e seu acúmulo tem forte relação com problemas como hipertensão, diabetes, distúrbios das gorduras sanguíneas. Substâncias que afetam o coração são secretadas pelo tecido gorduroso e comprovadamente caem quando o paciente emagrece.
            Outro fator importante é o aparecimento de resistência à insulina. Muitas vezes o paciente começa a ter distúrbios da glicose mesmo sem ter queda na secreção de insulina. O pâncreas do paciente é normal, produz insulina normal mas ela não consegue agir no organismo pois o tecido gorduroso promove resistência à insulina.
            Devemos ter em mente que, ao procurar emagrecer, o fator estético é o menos importante (embora seja talvez o mais motivacional) e suas alterações estéticas nada mais são do que a ponta do  iceberg de alterações que tornam a pessoa mais saudável. As dietas devem tornar a alimentação mais saudável e a atividade física faz muito mais do que queimar calorias, ela promove uma verdadeira modificação metabólica no nosso corpo. Não importa idade, não importa se gordo, magro, sedentário, ativo, etc. O benefício sempre existe .

            Modifiquemos nossa vida, principalmente quem está com sobrepeso, que tem uma barriguinha proeminente. Isso pode estar minando sua saúde, encurtando sua vida, comprometendo sua qualidade de vida.

domingo, 16 de março de 2014

Sibutramina para emagrecer - vale à pena?


       Substância muito difundida aqui no Brasil, a sibutramina é usada frequentemente por quem quer emagrecer. Ela já foi proibida nos EUA e na Europa porém aqui continua sendo vendida com receituário controlado.
            Afinal, o que é a sibutramina?
            Essa substância, inicalmente elaborada para funcionar com anti-depressivo, age do sistema nervoso central aumentando a sensação de saciedade. Ou seja, eliminando aquela sensação de fome, de que precisa comer mais e assim, fazendo a pessoa perder peso.
            Desde o início de seu uso, percebeu-se que a sibutramina provocava aumento de pressão arterial e acelerava os batimentos, o que levou a um uso cauteloso em pacientes com essas características. Porém, há pouco tempo, um grande estudo envolvendo mais de 10mil pacientes, mostrou que a sibutramina aumenta significantemente a mortalidade cardiovascular  , a incidência de infarto e AVC o que levou a proibição da droga nos EUA e na  Europa. Aqui, após este estudo, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que regula a fabricação e venda de medicamentos no Brasil, lançou uma ofensiva contra a sibutramina porém não foi suficiente para vencer os interesses dos laboratórios farmacêuticos que tem importante lucro com a venda da droga no Brasil e ela continua sendo liberada por aqui.
            É importante ressaltar que no Brasil existe e sempre existiu um uso indiscriminado da substância, médicos que vendem resultado de emagrecimento a prescrevem de forma difusa, sem muita preocupação com o histórico médico da paciente (às vezes desconhecido do próprio paciente) confiando, principalmente, na pouca idade, público que costuma procurar esse tipo de serviço.
            A sibutramina é uma droga que requer todo o cuidado na sua prescrição e foi proibida no mundo todo menos no Brasil. Será que somos os únicos certos?
            Um abraço!

quinta-feira, 6 de março de 2014

Exames Contrastados

              Muitas pessoas se assustam na hora de realizar um exame contrastado, principalmente quando é com contraste venoso. Nos laboratórios que realizam é dado um questionário cujas perguntas assustam e muitas vezes o psicológico já vem abalado por relatos prévios de coisas catastróficas relacionadas a contraste. Vamos tentar hoje desmistificar um pouco e entender o que realmente se deve preocupar em termos de contraste. Para que serve o contraste?
Contraste é tudo igual?  Todos eles são perigosos?
            Em primeiro lugar, para que serve o contraste? O contraste veio para melhorar a acurácia da imagem radiológica. Os exames simples de raios-X são muito limitados principalmente para visualização de tecidos "moles" por serem radiotransparentes. O contraste melhorou demais isso, conseguiu-se ter uma visão bem melhor de ógãos internos. A maioria dos contrastes venosos é a base de iodo e aí que começam os problemas. Muitas pessoas são alérgicas ao iodo, já tem relatos de reações prévias (mesmo a iodo usado em curativos simples) ou alergias que podem estar relacionadas (frutos do mar, por exemplo) e, nesses, se o exame é imprescindível, deve optar por uma dessensibilização usando drogas antialérgicas e corticosteroides antes do exame. Outro problema é que o contraste iodado é tóxico para os rins. Eles á evoluíram muito, cada vez são mais seguros, mais ainda, numa pequena parcela, pode acontecer da função renal ter algum prejuízo, normalmente pequeno e transitório (embora possa ser grave em número reduzido de casos). Para isso, ter o paciente bem hidratado, estimular bastante o rim a funcionar ajuda, principalmente se o paciente já tem algum grau de disfunção renal.
            Uma vez que se fala em "contraste" o leigo imagina que seja tudo igual e não é. Os exames radiológicos (raio-X, tomografias e angiotomografias) usam normalmente contrastes iodados e, hoje em dia cada vez menos, com bário, principalmente para exames radiológicos do trato digestivo. Os exames de ressonância magnética usam um tipo diferente de substância que não é iodada, é bem menos alergênica porém pode ter problema renal (principalmente em quem já tem algum problema) e os exames cintilográficos tem outros tipos de contrastes, tambpem sem iodo, que são bastante seguros tanto do ponto de vista alergênico quanto do ponto de vista renal.
 É importante ressaltar que muitas vezes não existem opções e o exame contrastado tem de ser feito. Um exemplo clássico disso é o cateterismo cardíaco, pode ser salvador de vidas porém envolve o uso do contraste iodado radiológico. Tanto o médico solicitante desses exames tanto o que realiza devem estar bastante atentos ao motivo para pedir, o benefício de sua realização, possíveis efeitos adversos e como manejá-los.

            Um abraço a todos.