Após alguns meses de sumiço por problemas pessoais, volto hoje esperando conseguir manter a regularidade nas postagens do blog.
Obrigado!
Coletânea de idéias, estudos e experiências, este blog quer informar, entreter, ouvir e receber!
sábado, 14 de junho de 2014
domingo, 6 de abril de 2014
Gordura Abdominal
Venho falar hoje sobre algo muito comum em muitas pessoas
que conhecemos e observamos: a barriguinha. Fora casos específicos como
gravidez e ascite (água no abdome), a barriguinha proeminente significa acúmulo
de gordura abdominal e, além da estética, tem outros problemas muito mais
importantes.
O acúmulo
de gordura nos órgãos internos está relacionado com o aparecimento de doenças
graves. Ao contrário do que se pensava, a gordura não é uma coisa inerte que só
se acumula e que altera a forma do nosso corpo. A gordura é metabolicamente
ativa, secreta substâncias, reage a outras e seu acúmulo tem forte relação com
problemas como hipertensão, diabetes, distúrbios das gorduras sanguíneas.
Substâncias que afetam o coração são secretadas pelo tecido gorduroso e comprovadamente
caem quando o paciente emagrece.
Outro fator
importante é o aparecimento de resistência à insulina. Muitas vezes o paciente
começa a ter distúrbios da glicose mesmo sem ter queda na secreção de insulina.
O pâncreas do paciente é normal, produz insulina normal mas ela não consegue
agir no organismo pois o tecido gorduroso promove resistência à insulina.
Devemos ter
em mente que, ao procurar emagrecer, o fator estético é o menos importante
(embora seja talvez o mais motivacional) e suas alterações estéticas nada mais
são do que a ponta do iceberg de
alterações que tornam a pessoa mais saudável. As dietas devem tornar a
alimentação mais saudável e a atividade física faz muito mais do que queimar
calorias, ela promove uma verdadeira modificação metabólica no nosso corpo. Não
importa idade, não importa se gordo, magro, sedentário, ativo, etc. O benefício
sempre existe .
Modifiquemos
nossa vida, principalmente quem está com sobrepeso, que tem uma barriguinha proeminente.
Isso pode estar minando sua saúde, encurtando sua vida, comprometendo sua qualidade
de vida.
domingo, 16 de março de 2014
Sibutramina para emagrecer - vale à pena?
Substância muito difundida aqui no Brasil, a sibutramina é
usada frequentemente por quem quer emagrecer. Ela já foi proibida nos EUA e na
Europa porém aqui continua sendo vendida com receituário controlado.
Afinal,
o que é a sibutramina?
Essa
substância, inicalmente elaborada para funcionar com anti-depressivo, age do
sistema nervoso central aumentando a sensação de saciedade. Ou seja, eliminando
aquela sensação de fome, de que precisa comer mais e assim, fazendo a pessoa
perder peso.
Desde o
início de seu uso, percebeu-se que a sibutramina provocava aumento de pressão arterial
e acelerava os batimentos, o que levou a um uso cauteloso em pacientes com
essas características. Porém, há pouco tempo, um grande estudo envolvendo mais
de 10mil pacientes, mostrou que a sibutramina aumenta significantemente a
mortalidade cardiovascular , a incidência
de infarto e AVC o que levou a proibição da droga nos EUA e na Europa. Aqui, após este estudo, a ANVISA
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária) que regula a fabricação e venda de
medicamentos no Brasil, lançou uma ofensiva contra a sibutramina porém não foi
suficiente para vencer os interesses dos laboratórios farmacêuticos que tem
importante lucro com a venda da droga no Brasil e ela continua sendo liberada
por aqui.
É
importante ressaltar que no Brasil existe e sempre existiu um uso
indiscriminado da substância, médicos que vendem resultado de emagrecimento a
prescrevem de forma difusa, sem muita preocupação com o histórico médico da
paciente (às vezes desconhecido do próprio paciente) confiando, principalmente,
na pouca idade, público que costuma procurar esse tipo de serviço.
A
sibutramina é uma droga que requer todo o cuidado na sua prescrição e foi
proibida no mundo todo menos no Brasil. Será que somos os únicos certos?
Um abraço!
quinta-feira, 6 de março de 2014
Exames Contrastados
Muitas pessoas se assustam na
hora de realizar um exame contrastado, principalmente quando é com contraste
venoso. Nos laboratórios que realizam é dado um questionário cujas perguntas
assustam e muitas vezes o psicológico já vem abalado por relatos prévios de
coisas catastróficas relacionadas a contraste. Vamos tentar hoje desmistificar
um pouco e entender o que realmente se deve preocupar em termos de contraste. Para
que serve o contraste?
Contraste é tudo igual? Todos eles são perigosos?
Em
primeiro lugar, para que serve o contraste? O contraste veio para melhorar a
acurácia da imagem radiológica. Os exames simples de raios-X são muito
limitados principalmente para visualização de tecidos "moles" por
serem radiotransparentes. O contraste melhorou demais isso, conseguiu-se ter
uma visão bem melhor de ógãos internos. A maioria dos contrastes venosos é a
base de iodo e aí que começam os problemas. Muitas pessoas são alérgicas ao
iodo, já tem relatos de reações prévias (mesmo a iodo usado em curativos
simples) ou alergias que podem estar relacionadas (frutos do mar, por exemplo)
e, nesses, se o exame é imprescindível, deve optar por uma dessensibilização
usando drogas antialérgicas e corticosteroides antes do exame. Outro problema é
que o contraste iodado é tóxico para os rins. Eles á evoluíram muito, cada vez
são mais seguros, mais ainda, numa pequena parcela, pode acontecer da função
renal ter algum prejuízo, normalmente pequeno e transitório (embora possa ser
grave em número reduzido de casos). Para isso, ter o paciente bem hidratado,
estimular bastante o rim a funcionar ajuda, principalmente se o paciente já tem
algum grau de disfunção renal.
Uma
vez que se fala em "contraste" o leigo imagina que seja tudo igual e
não é. Os exames radiológicos (raio-X, tomografias e angiotomografias) usam
normalmente contrastes iodados e, hoje em dia cada vez menos, com bário,
principalmente para exames radiológicos do trato digestivo. Os exames de
ressonância magnética usam um tipo diferente de substância que não é iodada, é
bem menos alergênica porém pode ter problema renal (principalmente em quem já
tem algum problema) e os exames cintilográficos tem outros tipos de contrastes,
tambpem sem iodo, que são bastante seguros tanto do ponto de vista alergênico
quanto do ponto de vista renal.
É importante ressaltar que muitas vezes não
existem opções e o exame contrastado tem de ser feito. Um exemplo clássico
disso é o cateterismo cardíaco, pode ser salvador de vidas porém envolve o uso
do contraste iodado radiológico. Tanto o médico solicitante desses exames tanto
o que realiza devem estar bastante atentos ao motivo para pedir, o benefício de
sua realização, possíveis efeitos adversos e como manejá-los.
Um abraço a todos.
quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014
Hérnia de Disco
A coluna vertebral é formada por ossos empilhados em cadeia
chamados de vértebras, entre esses ossos existem os discos intervertebrais que
servem para acolchoar as vértebras, amortecendo os impactos. No interior desses
discos existe uma substância gelatinosa responsável por esse acolchoamento.
Em algumas
pessoas, acontece uma fissura ou degeneração desses discos, fazendo com que
haja um escape da substância gelatinosa, alcançando assim as raízes nervosas
que saem da medula causando inflamação desses nervos. A isso chamamos de hérnia
de disco.
O principal
sintoma é a dor que está relacionada ao segmento da coluna envolvido. Se é na
coluna cervical (pescoço) a dor normalmente atinge o pescoço, ombros e pode ir
para os braços. Se acontece na coluna torácica, a dor nas costas é o principal
e se acontece na coluna lombar acontece a comum irradiação para os membros
inferiores. Além disso pode acontecer fenômenos de sensibilidade como
dormência, perda de sensibilidade e dificuldades de movimentação.
Quem tem
uma ou mais hérnias de disco sabe que dor acontece em crises, muitas vezes
causada por uma posição, um esforço e o tratamento é feito com drogas analgésicas
e anti-inflamatórias. O sobrepeso e a obesidade são grandes inimigos pela
pressão que causam sobre a coluna. Nos casos mais sérios, existem procedimentos
cirúrgicos que ajudam, mas só estão indicados em casos criteriosamente
avaliados por um ortopedista ou neurocirurgião. O diagnóstico, além do quadro
clínico, é confirmado por exames de imagem, principalmente a ressonância
magnética.
Cuidar bem
da coluna desde cedo é importante, devemos manter cuidado com a postura, com o
peso, manter uma musculatura da região cervical, dorsal e lombar bem
trabalhada. Tudo isso ajuda bastante na prevenção. Para aqueles que tem
profissões que envolvem pegar muito peso o uso de proteções para a coluna é de
grande valia.
sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014
Pico de pressão - o que fazer?
Uma pergunta frequente feita no
consultório é: a partir de quanto de pressão eu preciso me preocupar? Bom, essa
resposta normalmente não vem com um número em si mas com o tipo de dano que a
pressão arterial esteja causando. Variando muito de pessoa para pessoa, o pico
de hipertensão pode ser considerado emergência ou não.
A
hipertensão arterial é danosa, lenta e por vezes silenciosamente porém alguns
sinais mostram que ela está causando problemas de forma aguda e isso obriga a
tratamento imediato e intensivo. Quando um paciente é hipertenso, o tratamento
visa impedir que o paciente apresente lesões nos sistemas que a hipertensão
adora atacar e que são comprometedores tanto da duração da vida quanto de sua
qualidade, a saber: cérebro, coração, olhos e rins. Partindo daí, ficamos com a
definição de "lesão de órgão alvo" que é muito importante para
definirmos o quão agressivos devemos ser no tratamento.
Alguns
sintomas nos dão uma direção que algo mais sério esteja acontecendo além de um
mero aumento de pressão como por exemplo:
·
Dormências e fraquezas em algum segmento do
corpo, dores de cabeça, alterações na fala – dano neurológico;
·
Alterações visuais (visão dupla, borrada, sem
foco) – alterações oculares e/ou neurológicas
·
Dor no peito, falta de ar, cansaço, palpitações –
dano cardiológico
Uma elevação
de pressão arterial que apresente sintomas assim devem ser tratados como
emergências médicas, em ambiente hospitalar, com medicação rápida e eficaz.
Tentar contornar isso em ambiente doméstico pode fazer a diferença entre uma
mera crise de pressão ou um infarto ou um AVC.
Fiquem atentos!
terça-feira, 11 de fevereiro de 2014
Disautonomia - você já ouviu falar nisso?
O
nosso sistema nervoso controla as funções de nosso organismo de uma forma
geral. Ele é o responsável pelos comandos voluntários de nosso corpo como os
movimentos do corpo e pelos involuntários como movimentos dos órgãos,
respiração, etc. Existe uma parte do sistema nervoso que controla boa parte de
nossas funções vitais como pressão arterial e frequência cardíaca que é
denominado Sistema Nervoso Autônomo. Ele é o responsável, por exemplo, por
sentirmos nosso coração disparar quando tomamos um susto e faz com que fiquemos
alertas numa situação de estresse.
Principalmente
na população idosa e em especial nos idosos diabéticos, uma disfunção dessa
parte do sistema nervoso que é chamada de disautonomia. Ela é um distúrbio que
atrapalha a autoregulação das funções involuntárias do organismo incluindo aí a
pressão arterial e da frequência cardíaca em situações simples como passar da
posição deitado para de pé, permanecer muito tempo em pé parado, ir ao
banheiro, provocando muitas vezes quedas acentuadas da pressão arterial nessas
situações com consequentes desmaios e quedas. Em idosos, essa situação é
especialmente importante pelo risco que representa a queda podendo ter como
consequência fraturas de fêmur, traumas cranianos, coisas que apresentam
elevado índice de complicações. O
inverso também pode acontecer, com elevações abruptas e inadequadas da pressão
arterial e da frequência cardíaca. Além disso, a disautonomia pode causar visão
turva, boca seca, impotência sexual, distúrbio gastrointestinais, entre outras
coisas.
Nessas
temperaturas altas que estamos enfrentando, a situação se complica ainda mais
pois os idosos se desidratam com muito mais facilidade. A pressão tende a cair
mesmo sem nenhum distúrbio, a ingesta de líquidos é menor e não é incomum o
hábito de se colocar roupa demais. Além
de controlar a pressão arterial e frequência cardíaca, a disautonomia pode
afetar a deglutição, função sexual e gastrointestinal.
Tratar
o problema de base como diabetes, Parkinson, alcoolismo tendem a melhorar a
disautononia, porém tratamento específico ainda não existe. Em situações
específicas, o uso de meias elásticas, evitar ficar de pé muito tempo parado ou
caminhando lentamente e a prática de exercícios físicos podem minimizar bastante. O diagnóstico é
clínico e pode ser confirmado através de exames como tilt- teste (teste de
inclinação de mesa) e também por alterações específicas no teste de esforço.
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